Uma rua muito movimentada mas, não por carros e nem tanto por pessoas!
Quando eu e minha família
nos mudamos, há 12 anos, para uma rua sem saída, nunca imaginamos passar por
tantas coisas incomuns, aqui. Afinal, achávamos que, a maioria das ruas sem
saída, era pacata: como éramos ingênuos!
O início do ZOO:
Nos primeiros meses, a rua parecia tranquila no
entanto, aos poucos, foi “mostrando as garras”!
Se não falha a memória, o “show de horrores” começou
com um grito desesperado, vindo do vizinho da rua de trás:
Hoje em dia, este mesmo papagaio imita, às vezes, o som
de uma ave de filme de terror, porque é assustador!Meses depois, às 5h30 da manhã, quase que pontualmente,
um som estranho.
De início, era de vez em quando mas, aos poucos, foi sendo cada vez mais regular e diário, nos acordando quase todas as manhãs. Isto durou meses. Identificamos que era o som de uma ave do vizinho de frente: uma calopsita!
Muito tempo depois, notamos no predinho de frente para nossa casa, que muitos pombos voavam e pousavam por lá. Muitos mesmo! E os ovos dos mesmos, atraíam urubus. Então, foi a primeira vez, que “fomos apresentados” a um urubu e claro, jamais podemos dizer que foi “um prazer”.
Alguns anos se passaram e aos poucos, percebemos redes no predinho, impedindo os pombos de fazerem seus ninhos. Adivinhem então, para onde eles resolveram aparecer, “namorarem”, fazerem seus ninhos e chocarem seus ovos? Isto mesmo: no teto da nossa casa e dos nossos vizinhos de condomínio.
Moramos em um condomínio de 3 sobrados e o teto de cada um deles foi bem apropriado para estes “ratos de asas”, para nosso azar!
Nós e nossos vizinhos de condomínio fizemos de tudo para dar fim às pragas mas, sem sucesso.
Sofremos com isto por uns 4 anos. Descobrimos que, eles
gostavam de ficar nos nossos telhados porque, um dos moradores da rua tinha um
galinheiro (algo proibido em meio urbano). Comida fácil, moradia perto! Este
vizinho morreu, a viúva se desfez do galinheiro e os pombos, finalmente se
mudaram. Alívio total porque, além de serem perigosos para nossa saúde, o arrulho deles, era
insuportável!
Um ano antes, dos pombos sumirem, começamos a ouvir um
som muito estranho, de novo. Às vezes, era de dia, às vezes, era de noite
e à noite, era sinistro!
Conforme o som foi se repetindo, mais uma vez, fomos apurando
os ouvidos. Lá pelas tantas, perguntei para meu marido:
- Sim! Claro!
- O que você acha que é este som?
- Não faço ideia mas, parece de uma ave!
Quando ele disse isto, lembramos imediatamente dos sons das aves que ouvíamos, quando íamos ao “Passeio Público” (parque municipal) quando levávamos nossas filhas pequenas, lá. E também das aves que ficavam em gaiolas enormes no “Parque Iguaçu” (que também abrigava e abriga um zoológico). Portanto, mediante todos estes sons, começamos a nos sentir em plena selva, mesmo morando em meio urbano!
Certa manhã, ouvi o som bem forte novamente. Olhei pela janela e vi uma ave grande, em cima do tal predinho já citado. Corri pegar o binóculo para ver melhor a dita cuja. Realmente, uma ave que nunca tinha visto, acho que nem nos parques. Além de grande, tinha um bico longo e encurvado.
Curiosa para saber que espécie de ave era, coloquei as
descrições da mesma, no “tio Google”, em imagens e apareceram várias fotos dela
com um nome: curicaca. Para confirmar, coloquei o nome no outro “tio Youtube” e
“batata” o som era o mesmo. Mais curiosa ainda, pesquisei sobre ela:
Ave que vive em grande parte do Brasil,
principalmente no Pantanal mato-grossense mas, pode ser encontrada em toda a
América do Sul e até no Panamá.
Mas então
pergunto, senhoras e senhores:
- O que esta
bendita estava fazendo em plena
metrópole e pior, na NOSSA RUA???
Acho que nunca
vamos saber porque: do mesmo jeito que ela apareceu – do nada, sumiu!
Mas, não pensem
que “nosso zoo” é somente de aves que incomodam. Têm "leões" também!
E o campo de CAMPO DE GUERRA?
Pois é.... Já
assassinaram 2 pessoas na nossa rua: o 1º tinha tornozeleira eletrônica e dizem
os fofoqueiros de plantão, que ele estava prometido.
Lembro bem
desta noite: eu estava preparando minhas aulas no computador e escutei:
- Tá, tá, tá,
tá, tá, tá, tá, tá...!
Nos primeiros “tás”
eu demorei para identificar que era o som de uma arma. Quando identifiquei, só
lembro de gritar para meu marido que estava na sala, no andar de baixo:
- Abaixa a
cabeça! – e deitei no chão até terminarem os últimos “tás”!
Em menos de 30
minutos tinham, aqui em frente de casa: 2 carros de polícia, um SAMU (Serviço
de Atendimento Móvel de Urgência) e uma espécie de Rabecão, Camburão (não lembro agora, o nome certo do veículo público que carrega mortos).
No jornal a
notícia era de que a vítima tinha levado 2 tiros. Nada! Não foi tiro de
revólver não! Ele foi morto por metralhadora! Meses depois, pasmem mais uma
vez: ouvimos tiros na esquina. Uma moça foi assassinada!
Dá até medo de pensar qual será a próxima surpresa:
Talvez, surja
do nada, um Tiranossauro Rex
ou um Disco Voador resolva pousar bem em cima da nossa casa!





