QUEM SOU EU: Uma profª de Artes, Arteterapeuta, Aromaterapeuta que se aventura no mundo da escrita.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ser GENTIL, nunca é demais!





Hoje, vivenciei uma experiência vexatória e compensadora!
Nunca nesta minha vida de fifty-one esqueci de entrar em transporte coletivo sem o dinheiro da passagem. Sempre me compadeci de quem passa esta vergonha e hoje, eu fui a “bola da vez”!
Entrei, toda faceira in the bus e fui passar o cartão passagem que eu tinha carregado, dias atrás. Como o usei por algumas vezes, desde então, não tinha certeza de quanto crédito ele ainda continha. Portanto, levei dinheiro a mais por garantia pois, sou a Ansiosa Mor e por conta disto me preveni.
Na hora de passar o cartão, constatou-se a falta de crédito então, abri a bolsa, toda segura de mim e qual não foi a minha surpresa? Nada de dindim, bufunfa, grana!  O ônibus seguindo seu rumo e eu desesperada virando a bolsa do avesso para achar o dito do dinheiro o qual, eu tinha certeza mais que absoluta, ter colocado dentro dela. Ia procurando e ia dizendo para o cobrador ao mesmo tempo:
- Ai moço! Desculpa!
(procurando)
- Não to achando! Que vergonha!
(procurando)
- Pode me soltar aí, em qualquer lugar porque acho que, não trouxe mesmo!
Ele só me olhava com paciência e dizia:
- Calma!
(procurando)
- Não tá achando mesmo?
(procurando)
Respondi quase chegando ao meu destino (Terminal do Santa Cândida) com as bochechas mais vermelhas de quando estive 2 horas embaixo do sol de meio-dia:
- Não moço! Não achei! O que eu faço?
Ele todo tranquilo:
- Calma! Tudo bem! Acontece! Pode descer pela porta da frente!
- Nossa moço! Muito obrigada! Nunca me aconteceu isto na vida! Nunca vou esquecer sua gentileza e educação! Qualquer outro teria me mandado descer no 1º ponto e com a maior grosseria e falta de paciência!
Ele apenas sorriu!
Desci portanto, sentei no 1º banco vazio que vi na minha frente, com esperança de procurar melhor e achar o bendito dinheiro pois, daria tempo de ainda pagar a passagem enquanto os outros passageiros do terminal subiam no mesmo coletivo que eu havia descido, há pouco. Mas, nada! Realmente não estava na bolsa!
Fiquei ali, no banco, pensativa e remoendo a raiva de mim mesma, esperando meu outro ônibus que viria dali uns 20 minutos.
Para quem não mora em Curitiba, explico: Nos terminais podem-se fazer conexões gratuitas com algumas linhas de ônibus e por isto, eu poderia entrar em outro transporte coletivo, sem pagar. Quando chegasse no meu trabalho, pediria um dinheiro emprestado de alguém bem bonzinho, para poder voltar para casa.
15 minutos depois, levantei e resolvi ir para o ponto pois, o meu próximo ônibus chegaria em instantes. Dei alguns passos, coloquei as mãos nos bolsos do casaco e adivinhem: lá estava minha carteirinha de dinheiro bela e formosa!
Dei risada sozinha mas, ao mesmo tempo nervosa e pensei:
“Como pude ser tão distraída e não lembrar que tinha colocado a carteirinha no bolso do casaco e não na bolsa? Que raiva! Bom... pelo menos, economizei uma passagem que, ‘diga-se de passagem’ está bem cara!”
No tempo que fiquei esperando o outro transporte, o coletivo que eu tinha vindo sem pagar, foi e voltou pois, o trajeto dele é curto. Então, meu “ser natural” começou a lutar dentro de mim:
“Agora já foi! Deixa quieto! Seu outro ônibus já vem e você está atrasada! Você não fez por querer! E este aumento de passagem que, teve há pouco tempo é um absurdo mesmo!”
Mas, meu “ser divino” gritou mais alto:
“Não senhora! O certo é pagar, indiferente de qualquer coisa. Vai lá imediatamente e pague sua passagem!”
Obedeci à “voz do bem” e enveredei rapidamente para fazer o que era certo! O cobrador sorriu quando me viu:
- Achou então?
- Sim! E mais uma vez, muito obrigada por ser tão amável comigo!
Ele, simplesmente sorriu, novamente!
Esta experiência me fez refletir:
Mesmo que eu não tivesse achado o dinheiro. Mesmo que eu não tivesse voltado para acertar o que devia. Ainda assim, o cobrador agiu como um cavalheiro e com certeza sua atitude receberia de volta, a mesma simpatia, elegância, educação, amabilidade de um outro alguém, quando ele precisasse!
Afinal, cortesia acarreta e atrai cortesia!


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