QUEM SOU EU: Uma profª de Artes, Arteterapeuta, Aromaterapeuta que se aventura no mundo da escrita.

terça-feira, 24 de maio de 2016

“TOUCH – o incansável troca - letra”



Estamos na era tecnológica e portanto, nos adaptemos a ela o quanto pudermos!

Qualquer pessoa que, tenha mais ou menos a minha idade (50) vai entender perfeitamente o que vou criticar aqui:

Por que, caros leitores, a contemporaneidade é tão implacável em maltratar os mais favorecidos em anos de vida?

Quando a mídia da minha época de adolescente (só rádio, TV, revistas e jornais) anunciou a chegada do celular: “Seria um telefone aonde poderia ligar e atender de qualquer lugar, sem a necessidade de um fio!”, eu fiquei pasma! Tanto que, tempos depois, quando estava voltando do colégio para casa, dentro de um ônibus, avistei um homem na rua falando com algo que parecia um telefone. A princípio, achei que ele era louco, depois, fiquei procurando o fio e só quando cheguei em casa e comentei com meus pais, a “ficha caiu”: era o tal celular anunciado!

O CD foi outro. Como caberia o tanto de música de um vinil, considerado grande, em um CD 3X menor? E como tocaria sem agulha? E como apareceria o número da música escolhida, no aparelho e acessar direto nela? 
 

Mas, o pior foi quando surgiu o media player. Nesta época eu já era professora e precisei de um aluno para me explicar com paciência, tempo e detalhes (porque escola é uma troca – alunos aprendem conosco e nós com eles): Como eu conseguia ouvir uma música sem fita cassete ou CD (na época, já acostumada com ele)? Por onde o som acontecia, ia, passava e como eu conseguia ouvir? Ele demorou a explicação e acho que ele pensou em perguntar: “Entendeu professora? ... Não? ... Quer que eu desenhe?”

O mais engraçado foi um dia, dando aula em uma turma da 8ª série, hoje 9º ano. A matéria era MPB dos anos 30, 40 e 50. Conteúdo nada atraente para alunos desta idade. Então, procurei dividir o tema em grupos (para a aula não ficar ainda mais enfadonha, somente eu falando sobre o assunto) e na aula seguinte eles apresentariam os cantores, as músicas e a história das épocas dos anos 30, 40 e 50. 
No dia da apresentação, quando o 1º grupo foi expor as músicas da década designada, notei que, um dos integrantes simplesmente estava com 2 caixinhas de som soltas. Eu perguntei:



- É... Pessoal... Eu não to entendendo! Como vocês vão tocar as músicas, nestas caixinhas soltas de computador?



Um aluno, da última fileira, gritou e riu alto, ao mesmo tempo:



_ Ê professora... Fica ensinando estA coisA antiga aí, de música de velho e não sabe daS modernidadE!



Toda turma gargalhou e eu não controlei a risada também. Mal eu sabia aquele tempo, que as caixas poderiam ser ligadas em outros aparelhos eletrônicos menores e não apenas em computadores com CPU e monitor.

Vivi em uma época que os aparelhos eletrônicos e tecnológicos eram grandes, pesados e lentos.

Lembro de fazer gravações, para trabalhos da faculdade, com 1 aparelho de som, portátil, da marca “Polyvox”. A gente chamava gravador e ele, apesar de ser portátil, era enorme e pesado, mas, muito forte. Derrubei o monstrengo, certa manhã, do alto de uma escada de uns 20 graus, mais ou menos, e ele chegou ao último, ou melhor, 1º degrau degrau ileso!

Também me recordo do 1º computador XT que eu e meu marido compramos. Foi a maior sensação! Nós ficávamos, no mínimo, 15min. esperando para abrir cada tela, de fundo verde escuro. Não havia imagens e as letras, se não me engano, eram brancas. E tínhamos a maior paciência do mundo em esperar a “boa vontade” da máquina.

Hoje, nem pensar! Tudo é extremamente célere! 

E aonde, afinal, entra o TOUCH nesta história toda? Na raiva tamanha de digitar em aparelhinhos de celular contemporâneos e na falta de paciência que tenho com eles. Não tem uma santa vez que eu não erro, pelo menos, 3 palavras de 5 que digito. Troco sempre “o” pelo “i”, o “i” pelo “u”, o “n” pelo “b” e vice-versa, pois, são teclas que estão muito próximas umas das outras e é incrível, porque, sempre estou com extrema pressa. Além de, qualquer toquinho errado “puf” vai para “outra dimensão” menos para aba que eu quero.

 
Tive que comprar a “praga touch”, mas, eu não queria! Fui usando o celular antigo de teclinha até eu não conseguir mais ser ouvida pelas pessoas que eu ligava, então, aposentei o meu “herói”. Com o tempo, fui encontrando tantas maravilhas neste aparelho, descobrindo o quanto ele é capaz, que agora, não vivo sem ele! 

Contudo, por que, antes, eu tinha mais paciência de esperar e agora não? A tecnologia avança e nos beneficia, mas, ao mesmo tempo, queremos sempre tudo “para ontem”!

Porém, sou grata de nascer em uma época na qual pude e posso presenciar tantas mudanças que beneficiam a humanidade. Não seria tola em afirmar que gostaria de nada disso ter acontecido. E me esforço, dia a dia, para não ficar aquém.

Conheço pessoas, até mais novas do que eu, mal sabem ligar o computador ou mexer no Word. Também, não querem aprender. Como se a máquina fosse um “bicho papão”!

Estamos em um período que, se não nos reciclarmos ficaremos muito para trás, tornar-nos-emos medíocres, facilmente manipulados e enganados, pois, estaremos desprovidos de acesso a diferentes e importantes informações e conhecimentos. Precisamos tentar alcançar o mínimo de progresso, mesmo “trocando” todas as letras do alfabeto, ao digitarmos uma pequena mensagem no celular.


13 comentários:

  1. Oi Aline muito bom,principalmente a parte q poderemos nos tornar medíocres e manipuláveis!

    ResponderExcluir
  2. Mãezinha, você está se saindo muito bem na era "touch", tem até um blog que pode ser visualizado por milhares de pessoas. Parabéns ^^

    ResponderExcluir
  3. Estamos vivendo em uma época incrível. Há uns 25 anos atras tudo caminhava a passos de tartaruga e nunca sequer imaginávamos que o mundo de 2016 seria assim.

    ResponderExcluir
  4. Parabéns Aline MIlk. Cronica muito boa.

    ResponderExcluir
  5. Mãe chorei de rir com esse principalmente porque lembrei que muitas de suas msgs exigia um grande esforco para serem disifradas, eu sempre perguntava pro pai - do que a mãe Está falando? Hahahahhaha te amo

    ResponderExcluir
  6. Muito bom. Me vi em casa situação apresentada, sofri horrores no início, agradeço a meus filhos pela ajuda para minha adaptação...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ahahaha... ainda sofro, mas, cada vez me adapto melhor a nova era :D

      Excluir
  7. Muito bom. Me vi em casa situação apresentada, sofri horrores no início, agradeço a meus filhos pela ajuda para minha adaptação...

    ResponderExcluir